Estou fadado para morrer de amor. Não deste amor que me escarraram no rosto, nem tampouco deste que me jogaram nas costas. Porque este me doeu, me dói, pesou. Digo amor de tapear os ombros e abafar as cordas vocais, dizendo que tudo, tudo ficará bem. Este amor que pondera sobre nossas fraquezas e sorri, anelando um ao outro o desejo de ser mais. O amor é mais. Mais paixão, mais apego, mais lágrimas; Machado foi assim, louco, translúcido e patético, completamente. E por que não nós? nós, ínfimos desabituados a amar e a saber sobre tal, o que sabemos? O que sabemos? Nada. Amor é tão amor que deixou de ser pra gente; eu, por exemplo, encontrei poucos humanos que amaram no literal da palavra. Eu não. Não amei, não fui amado, não abracei, nem fui abraçado. Porque quem abraça, arromba. Quem ama, socorre, deixa viver. E eu, caro leitor, eu morro e morro e morro.
— Igor Pires (via estrelejar)